2

Amiúde – Cartas para Cris

Amiúde – cartas para Cris

A exposição nasce da experiência íntima da artista diante da morte precoce de sua irmã, Cris, aos três anos de idade. Aos nove anos, Miriane fez dos álbuns de família seu refúgio. Começou a recortar fotografias, transformando retratos cotidianos em pequenos 3×4. Em um gesto simbólico de amor, passou a carregar consigo, na carteira, um desses retratos, que “não tinha dinheiro, nem documentos, só um bocado de preciosidades”. O que sobrou desses recortes agora se transforma nesta série, composta por oito fotografias de duas irmãs, feitas pelo olhar amoroso de sua mãe.

Ao centro da sala, duas camas de solteiro. Uma está vazia. Ambas ressoam como metáfora daquilo que ficou. A ausência, e a presença do silêncio, que se instala no dia seguinte à perda.

Ao lado da porta de saída, há também uma carta escrita por Miriane para sua irmã, um testemunho da elaboração do luto ao longo de 30 anos. A carta está disponível para leitura aqui ou em casa. Convidamos você a sentar-se em uma das camas, se desejar. O luto demanda tempo e trabalho. E aqui há tempo, há espaço e há afeto. Tome o tempo que precisar.

Por fim, a exposição propõe um gesto de partilha: uma obra para ser levada embora. Cada visitante pode levar consigo um pequeno fragmento, em 3×4, de uma imagem ampliada de Cris. Essa peça compõe uma espécie de quebra-cabeça, estabelecendo uma relação simbólica com a memória coletiva. A imagem só poderá ser inteiramente vista caso todos aqueles que passaram por esta exposição e levaram consigo um pedaço dela se reencontrem.

“Amíude: cartas para Cris” é um rito de passagem, um rememorar saudoso e uma carta de amor. Um trabalho afetivo que insiste em permanecer nos intervalos da dor e da beleza, lembrando que a memória é feita de restos, de rastros e de encontros, ainda que temporários, com aquilo que já se foi.

 

 

Audiodescrição da Instalação

Catálogo Web