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Kitembu – Bandeira de Tempo

 

Tata que é tempo, me dê uma bandeira

tão branca como a de Lembá.

Quando alguém olhar pra ela,

vai ver que a casa é de Angola.

 

Kitembu: Bandeira de Tempo reverencia a ancestralidade do Candomblé Angola e o Nkisi Kitembu, divindade que rege o tempo. Erguida, a bandeira branca tremula como metáfora de paz, resistência e proteção ancestral. Vista de longe, é um demarcador de território — presente nos terreiros de Candomblé como instrumento de comunicação entre mundos e testemunho visível de que ali existe um espaço sagrado e de acolhimento. Aqui, torna-se também um gesto de pausa e respiro: diante das tensões entre corpo, território e meio ambiente, erguer uma bandeira branca é pedir trégua, reconhecer a natureza como força viva que exige escuta, reverência e cuidado. A obra dialoga com o pensamento de Marimba Ani, que entende a cultura como um sistema imunológico — uma barreira simbólica de proteção diante dos conflitos contemporâneos — e com o princípio de Sankofa, lembrando que o futuro se constrói com as raízes do passado. A palavra tempo, escrita com pó de pemba branca — elemento sagrado nas religiões de matriz africana —, reafirma que nas tradições afro-brasileiras habitam saberes antigos, essenciais para pensarmos os caminhos do futuro.